- O que foi isso, minha senhora?
- Trote.
Era melhor ela dizer que havia passado um caminhão, ou melhor, um trator em cima dela.
A Jurema me danou e isso eu não irei perdoar.
Voltando da prisão, ela assim me disse:
- Me perdoe Adoniran, não sabia que esse era um caso para tantas angústias e raivas.
- Não perdôo não, você desonrou a minha dignidade e pôs fogo na minha coragem e no meu machismo.
- Eu nem mesmo sabia que você tinha.
Eu olhei para ela com uma cara de cachorro bravo.
- Perdoe-me, essa não foi a minha intenção.
- Pelo visto não sou o único que se atrapalha e que sai pelo cano.
- Como assim?
- Olhe o seu estado minha filha, tá parecendo uma mistura de filhote de cachorro magro, neto de carranca, mais uma porção de um buldog.
- Também não precisa ofender.
- Você quem começou.
Depois de alguns dias brigados eu estava certo que não iria perdoar.
- Adoniran! Olha o que eu trouxe para você... Quindins, seu prato favorito.
Não aguentei, atolei-me nos quindins, além de me prejudicar emocionalmente e financeiramente, ainda por cima me prejudicou fisicamente, cinco quilos a mais foi para a minha conta de devo, não nego, pago se puder.
Salvador- BA, 15/02/2012.
Luane Franco / pelo Espírito Adoniran.


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